O rendimento dos veículos elétricos chega a 70%, enquanto o dos motores movidos à gás natural, não passa de 14%. O aproveitamento de motores a gasolina oscila entre 25% e 35%. A informação é da Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE), que prepara uma série de ações para inserir automóveis de motor elétrico no mercado brasileiro.
O pacote de medidas da ABVE passa pela circulação de informações para governo, empresas e cidadãos – inclusive via mídia - sobre motores elétricos, criação de política de registros para estes veículos nos Departamentos de Trânsito de cada estado, reivindicação de incentivos fiscais nas esferas estadual e nacional, além de demonstrações públicas do funcionamento e benefícios dos automóveis movidos à energia elétrica. Em São Paulo, há 43 ônibus deste tipo em circulação.
“O índice de poluição é zero. Para veículos híbridos [parte elétrico, parte a combustível], o nível de poluição é de 50% a 80% menor que o seu equivalente. Isso provoca menos problemas de saúde e traz mais qualidade de vida”, argumenta Antonio Nunes Junior, diretor-presidente da ABVE. Por esse motivo, a entidade considera plausível a iniciativa do governo do Rio Grande Sul ao oferecer isenção total do IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículo Automotor) a este modelo de automóvel.
No Rio, os veículos elétricos têm isenção de 75% do imposto, tal como os movidos a GNV. Além da suspensão da cobrança do IPVA, a ABVE defende redução do IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) e do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). A impossibilidade de registrar carros elétricos nos departamentos de trânsito também representa entrave para a categoria, já que impostos, como o IPI, incidem de acordo com o poder de combustão do automóvel.
Embora estudos publicados pela Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio) e pelo Instituto de Economia da UFRJ apontem para risco de novo apagão no próximo biênio, a ABVE diz que os carros elétricos não serão prejudiciais. “O modelo plug-in, por exemplo, permite usar eletricidade a pequenas distâncias e combustível em longos percursos. Nosso projeto é de longo prazo, não vai ter impacto sobre o mercado, senão, teriam de parar de fabricar geladeiras também”, frisa Nunes.
Em parceria com a usina hidrelétrica Itaipu Binacional, a montadora Fiat fabricou o Pálio Elétrico, com 15 KW de potência e autonomia para 130 km por carga. “Ele custa de 20% a 40% acima do modelo equivalente, mas os motoristas que rodam dois mil km por mês podem equilibrar os custos em quatro ou cinco anos”, informa Nunes. A ABVE conta com cinco empresas associadas e 13 pessoas físicas. Entre as parceiras recém-chegadas, está a distribuidora Ampla. |