O diretor de Estudos de Energia Elétrica da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), José Carlos de Miranda Farias, declarou nesta segunda-feira (24) no primeiro dia do evento Energy Summit 2006, que deverá ser lançado até novembro o Plano Decenal de Energia Elétrica 2007-2016. Segundo Miranda, este estudo é uma atualização do atual, já que a cada ano um novo plano é lançado pela EPE.
Ele adiantou que estão previstos dentro do plano a realização dos próximos leilões de energia, A-3 e A-5. O primeiro terá data de entrega dos contratos em 2010, enquanto o segundo, será em 2012. As usinas hidrelétricas do rio Madeira (Santo Antônio e Jirau), de Belo monte e a usina nuclear de Angra III estão previstas para entrarem nestes leilões.
Miranda aproveitou a oportunidade para desmentir qualquer hipótese de déficit de energia no Brasil. De acordo com ele, caso uma usina fique impossibilitada de ser incluída para a rodada de licitações, ela entrará no plano seguinte ao que programou os leilões.
Ao contrário do que o diretor da EPE afirmou, o diretor da empresa de consultoria em energia, Excelência Energética, José Said de Brito, declarou que o País poderá ter déficit de energia da ordem de 700 megawatts (MW) em 2009. Em 2010, esse déficit poderá aumentar para 1.900 MW e em 2011, 3.200 MW. Os dados são de uma pesquisa realizada pela empresa, mas a EPE garante que nenhum risco de déficit foi detectado.
O possível racionamento de energia foi também o tema de uma discussão entre representantes do PT e do PSDB. Maurício Tolmasquim representou o PT e Ivan Marques de Camargo, representou o plano de governo para a área de energia do PSDB. Tolmasquim voltou a assegurar que até 2009 o País não terá risco de racionamento.
Na abertura do evento, o ex-ministro de Energia e Minas do Peru, Fernando Sanchez Albavera, afirmou sua preocupação com a situação política no Oriente Médio, com a escalada da crise entre Israel e Líbano. Ele disse que a grande volatilidade do clima geopolítico traz incertezas aos investidores, além dos problemas de furto de energia.
Agenda 2020
Ainda durante o Energy Summit, O presidente do Instituto Acende Brasil, (ex-Câmara Brasleira de Investidores em Energia Elétrica), Cláudio Sales, anunciou a entrega de uma proposta que tem como objetivo garantir um desenvolvimento sustentável para o setor elétrico.
Denominado de "Agenda 2020", a proposta visa traçar metas para este desenvolvimento como uma autonomia maior para a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a redução da carga tributária e mudança da política de revisão tarifária.
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