O Brasil conseguirá equacionar o balanço da oferta e demanda de gás natural nos próximos dez anos. As projeções da Empresa de Pesquisa Energética mostram que a oferta do insumo em 2015 deverá atingir o volume de 152 milhões de m³/dia, contra uma demanda prevista de 128 milhões de m³/dia. Os números foram divulgados nesta quinta-feira (14), pelo presidente da empresa, Mauricio Tolmasquim, durante palestra proferida no Rio Oil & Gás 2006, no Rio.
De acordo com as estimativas do comportamento do mercado de gás apresentadas no evento, a demanda no País passará dos 60 milhões de m³/dia em 2006 para 128 milhões de m³/dia em 2015. As concessionárias de distribuição de gás natural deterão a maior fatia entre os demandantes, com consumo de 60 milhões de m³/dia. As usinas termelétricas responderão por um consumo de 47 milhões de m³/dia, enquanto o consumo industrial da Petrobrás, redirecionado principalmente nas refinarias, chegará a 21 milhões de m³/dia. A curva de oferta projetada pela EPE inclui, para 2015, o recebimento de 61 milhões de m³/dia de campos já descobertos, 36 milhões de m³/dia a partir de novas descobertas provenientes dos blocos atualmente em exploração e 35 milhões de m³/dia provenientes de importação através de gasodutos. Outros 20 milhões de m³/dia serão agregados ao volume de oferta pela utilização do gás natural liquefeito (GNL), perfazendo a projeção de 152 milhões de m³/dia em oferta de gás dentro de dez anos – contra uma oferta atual aproximada de cerca de 58 milhões de m³/dia. Dentre as medidas que sustentarão a ampliação do fornecimento de gás natural para o país estão a ampliação da infra-estrutura de gasodutos, a diversificação das fontes de importação (incluindo a alternativa GNL), o desenvolvimento de novos sistemas de produção e a intensificação do esforço exploratório. Em relação à demanda de gás para as termelétricas, as ações passam pela contingência de conversão de algumas usinas para sistemas bicombustíveis (operando a gás natural e a óleo diesel), gerando maior segurança ao atendimento do mercado. “Fica evidenciado que existem condições para a continuidade do crescimento da participação do gás natural na matriz energética brasileira. Dois pilares devem marcar o comportamento deste setor no futuro: a flexibilidade no uso e a diversificação no suprimento”, destacou o presidente da EPE ao final da palestra.
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