A defasagem das tarifas pagas à Eletronuclear e a construção de Angra 3 foram o foco do debate do seminário "Perspectiva da Energia Nuclear no Brasil", durante o segundo dia do X Congresso Brasileiro de Energia (X CBE), no Rio de Janeiro. O diretor-presidente da Eletronuclear, Zieli Dutra Thomé, confirmou que os R$ 78 por MW/h está abaixo dos preços internacionais. A correção do preço da energia, de acordo com o IGP-M, deveria ter sido feita em julho.
"Estamos aguardando uma definição do Ministério de Minas e Energia e a homologação da Aneel" disse Zieli quanto à expectativa de um reajuste. O presidente do X CBE, Luiz Pinguelli Rosa, afirmou que a tarifa da Eletronuclear deveria estar entre R$ 110 e R$ 120, para equilibrar os custos das usinas de Angra 1 e 2. Ele ressaltou que "existem térmicas que nem estão em operação e vendem energia com uma tarifa de R$ 170 cobrada na nossa conta de luz."
Por causa da defasagem nas tarifas e gastos em moeda forte, a Eletronuclear registrou prejuízo de R$ 238 milhões de janeiro a agosto deste ano. O professor Aquilino Senra Martinez, da COPPE/UFRJ, associou a dificuldade financeira da empresa a um possível abalo no sistema de segurança das usinas nucleares. Zieli Dutra rebateu: "Não deixarei comprometer a segurança por falta de recursos".
Angra 3 A conclusão de Angra 3 foi consenso entre os debatedores. No entanto, todos foram cautelosos ao afirmar que a decisão cabe ao Governo e que aguardam o parecer do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), previsto para ser divulgado daqui a dois meses. Segundo Pinguelli, a proposta é bem vista pelo Ministério de Ciência e Tecnologia e há uma aprovação "discreta" do Ministério de Minas e Energia.
Se autorizadas, as obras começarão em um ano e durarão 66 meses, ao custo de US$ 1,83 bilhões, segundo cálculos da Fundação Universidade de São Paulo. Na realidade, os investimentos serão divididos: um terço em reais e o restante em euros. |