06/10/2004
PDVSA e Petrobras pretendem firmar parceria
Alexandre Canazio

A PDVSA (Petróleos de Venezuela S/A) e a Petrobras devem começar ainda este ano a desenvolver projetos em conjunto. O presidente da estatal venezuelana, Alí Rodríguez, se reuniu ontem com o presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, para estabelecer a criação de grupos de trabalho que estudarão parcerias em várias áreas, como a produção de lubrificantes, refino de petróleo e investimentos.

A PDVSA está avaliando oportunidades no Brasil: analisa a construção de uma refinaria em Pernambuco e iniciou negociações com o grupo Ipiranga para a compra de ativos em petroquímica, refino e distribuição, mas ainda não fechou acordo. "Houve negociações, mas não há nada de concreto", afirmou Rodríguez.

A governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Matheus, que também se reuniu com o executivo, propôs a construção de uma refinaria no Estado, para a qual o Governo concederia incentivos fiscais. Rodríguez, no entanto, disse que para o projeto ser viável é importante a participação da Petrobras no empreendimento. "Uma refinaria exige investimentos muito altos e temos que saber onde colocar esse dinheiro. Se fizermos um acordo com a Petrobras para instalar a capacidade de refino, ficaremos em uma posição melhor para tomar esta decisão", explicou.

Durante sua participação na Rio Oil & Gas, Alí Rodríguez disse que a PDVSA aumentou a ênfase na produção de gás natural e criou um comitê para desenvolver projetos no País e também no mercado internacional. Segundo o presidente da estatal venezuelana, a prioridade, no entanto, é atender à demanda interna, que hoje é deficitária. "O gás é considerado o maior substituto do petróleo e não podemos ignorar este mercado", disse.

O presidente da PDVSA comentou o as sucessivas altas do preço do petróleo no mercado internacional. Para Rodríguez, o aumento está relacionado à especulação nos mercados futuros. Ele afirmou que a relação entre oferta e demanda não justifica o fato de as cotações terem ultrapassado US$ 52, já que há uma produção excedente de quase três milhões de barris diários. Ele acredita, porém, que os preços não retornarão aos níveis dos meses anteriores.

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